domingo, 29 de julho de 2012

Madeireiros rondonienses insistem em roubar madeira de reservas amazonenses


Madeira apreendiada em operação em Vista Alegre do Abuná, em março 2012. Foto jaruonlne.

Sul do Amazonas (Rio Ituxi, Lábrea e Canutama) –Por Xico Nery.
Não é de hoje que madeireiros e fazendeiros rondonienses são acusados de invadirem áreas compactas em terras indígenas e reservas extrativistas, estas habitadas por populações tradicionais destinadas a projetos de assentamentos e de reserva legal vinculados à agricultura familiar entre os estados do Amazonas, Acre e Rondônia.
Há três anos, o ex-governador João Aparecido Cahulla (PPS), anulou, com aval do Parlamento rondoniense, uma grande faixa de terras pertencentes a uma reserva extrativista ao longo do Rio Abunã. A área fica nos limites com as cidades de Lábrea e Canutama sob o olhar complacente de ambientalistas e autoridades dos três estados amazônicos. Até o momento o domínio ainda não foi restabelecido - nem pelo Estado rondoniense, nem pela União.
O ato possibilitou uma verdadeira corrida de toreiros e madeireiros às regiões de fronteiras e fundiárias com as terras indígenas da etnia Kaxaxari. As invasões escandalosas nunca contidas, o que corrobora até a essa data para o aumento vertiginoso dos índices de desmatamentos e depredação do ecossistema da fauna e da flora – uma atribuição do IBAMA, ICM-Bio e das secretarias de Florestas e de Desenvolvimento Ambiental.

Em linhas gerais, só em madeira, segundo lideranças indígenas e extrativistas, “cerca de 30 mil metros cúbicos teriam solapados no período de seis meses”. As incursões dos ilegais, eles disseram, “ocorrem através de carreadores nas fundiárias das fazendas rondonienses no eixo dos distritos de Nova Califórnia, Extrema e Jaci-Paraná, respectivamente.
O modus operandi desses grupos, de acordo com ambientalistas independentes ouvidos por este site de noticias com assento nas Comissões das Pastorais da Terra (CPT’s) do Acre, Amazonas e Rondônia, “é o mesmo praticado por madeireiros sulistas estabelecidos nos arredores das RESEX no bioma Machadinho, Cujubim, Vale do Anari, Costa Marques e Guajará-Mirim”.
- Eles chegam e legalizam parte das terras junto ao INCRA, SEDAM (RO), denunciam. O segundo passo é obter as licenças ambientais que autorizam a execução de planos de manejos. O terceiro é com os laudos graciosos obtidos juntos a esses órgãos, o que os credenciam a comercializarem a madeira, a maioria de espécies nobres e até em processos de extinção, reiteram as lideranças.
TRISTE HISTÓRICO - A exemplo do líder indígena, Walmir Suruí, cujo nome entrou para a lista do Programa de Proteção do Governo Federal, “as etnias do lado amazonense também são ameaçadas, mas o governo do estado mais poderoso da Amazônia, nada fez até agora para coibir as ameaças e o roubo de madeiras nobre e essências naturais”.
- Aqui, no Rio Ituxi, é flagrante a presença de madeireiros e fazendeiros rondonienses, eles disseram a este site. Além do modus operandi em comum, por essas bandas a prática é própria de maus migrantes que advindos à Amazônia (Oriental e Ocidental) nas décadas de 70 a 90. Esses grupos, no lado rondoniense, são os responsáveis diretos pela tomada de grande parte do potencial madeireiro das RESEX de Machadinho do Oeste, Cujubim, Anari, Candeias do Jamari, Costa Marque e Guajará-Mirim. Ninguém foi preso, nem autuado por queimadas em suas supostas propriedades cujo domínio é da União Federal e dos estados da tríplice fronteira.
NINHO DE BANDIDOS – A maioria das serrarias ilegais acusadas de roubo de madeiras e essências naturais fica no lado rondoniense dos distritos de Mutum-Paraná, Jaci-Paraná, Extrema, Fortaleza do Abunã, Nova Califórnia - estes palcos de intensas e violentas disputas pela posse da terra em áreas da União. A maioria dos casos resulta em assassinatos de líderes campesinos, de sem-terra, indígenas e ribeirinhos que habitam as áreas há mais de trinta anos.
Mas é de Jaci-Paraná, Extrema e Nova Califórnia que as Pastorais da Terra (CPT’s) e Ongs de defesa dos direitos humanos registram os maiores índices de violência no campo, onde madeireiros, fazendeiros e políticos rondonienses seriam os supostos mandantes de assassinatos, seqüestros e incêndios a pequenas propriedades em áreas de litígios agrários e de sonegação por uma evasão escandalosa de tributos municipais, estaduais e federais.
No eixo desses distritos, situam-se os maiores roubos de madeiras e essências naturais do lado amazonense por fazendeiros e madeireiros rondonienses. Nesses distritos é onde fica o maior pólo madeireiro no âmbito de Porto Velho. É de lá que, “desde os anos 90 que ocorrem os maiores índices de violência no campesinato municipal”.
Xico Nery é Produtor Executivo de Rádio, Jornal, TV, Repórter Fotográfico e Contato de Agências de Noticias Nacionais, Países Andinos e Bolivarianos.
Fonte: Xico Nery
Autor: Xico Nery
Colunista: Eliel J. Neto

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