terça-feira, 8 de maio de 2012

Estupros cresceram 208% em Porto Velho após inícios das usinas

Um relatório elaborado pela Plataforma Dhesca, inspirada nos trabalhos da Organização das Nações Unidas e formada por organizações não governamentais, concluiu que a migração para Porto Velho ficou 22% acima do previsto. Os homicídios cresceram 44%, casos de abuso e exploração de crianças aumentaram 18%, e estupros 208%, no período de 2007 a 2010.
— Tem pessoas que só trabalham com drogas e prostituição. Chegaram antes dos trabalhadores, compraram terrenos e os melhores pontos. Não tem hora para funcionar, é dia e noite — conta Alda Lopes, do Centro de Referência em Assistência Social de Jaci Paraná, onde viviam 4 mil pessoas e agora há 17 mil.
O Consórcio Energia Sustentável do Brasil, responsável pela usina de Jirau, afirmou que não iria se pronunciar em questões de violência e prostituição, que são da alçada do Poder Público. (fonte rondoniavivo)
A situação se repete no rio Teles Pires, MT.
Paranaíta, em Mato Grosso, tem pouco mais de 10 mil habitantes e está descrito no site do Ministério do Turismo como um município formado “por lindos rios, corredeiras e cachoeiras de uma beleza exuberante”. A vida de seus moradores começou a mudar com o início das obras da Usina Hidrelétrica Teles Pires, uma das sete previstas para o rio de mesmo nome, na divisa com o Pará. A mudança tem sido para pior.

A região, que abrange ainda Alta Floresta (MT) e Jacareacanga (PA), deve receber 30 mil migrantes, e os municípios não têm infraestrutura. Em Paranaíta, segundo o Ministério Público do Mato Grosso, faltaram vagas nas escolas no começo deste ano, postos de saúde não dão conta do atendimento, e os preços dos aluguéis dispararam. A violência aumentou e os prostíbulos, que eram dois e estavam em decadência, agora são quatro.

— Tem até fila na porta para entrar — conta, estarrecido, o promotor Luciano da Silva.

Uma das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a usina deve ficar pronta em 2015. O problema, segundo o promotor, é que, pela lógica, obras de infraestrutura na cidade deveriam ser feitas antes da chegada dos trabalhadores, mas isso não aconteceu. Embora estejam previstas medidas compensatórias no valor de R$ 300 milhões, foi preciso a intervenção do MP para que o dinheiro começasse a ser liberado.

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