quinta-feira, 12 de abril de 2012

Tanto Rondônia como Amazonas negam proteção a ameaçados da Ponta de Abuná.




Toras de madeira na estrada do PAF Curuqueté. Foto cpt ro
Ainda poucos dias depois da morte de Dinhana Nink em Nova Califórnia, o sucessor de Adelino Ramos a frente da ASSCEDAM, Associação dos Camponeses do Amazonas, e presidente do Assentamento Curuqueté, desde o dia 08 de Janeiro está fugido da Ponta de Abuná e do Sul de Amazonas, sem ter conseguido proteção para ele, para a família e para as outras famílias assentadas no local. Faz poucas semanas equipe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República visitou om local protegida por forças federais e está se aguardando uma posição da mesma. 
Orientado pela Secretaria de Segurança de Amazonas, o presidente da ASSCEDAM esteve na Secretaria de Segurança de Rondônia, onde foi solicitado o seu pedido de ajuda por escrito. Oficializado o pedido, em ofício 457-12 do Gabinete, de 15 de março de 2012, recebido na CPT RO, a Secretaria de Segurança de Rondônia (SESDEC) alega a "impossibilidade de efetuar a segurança pessoal por rações de impedimento legal",  "além da carência de recursos humanos e mateirais", e que as providências cabem ao estado vizinho de Amazonas.
Enquanto o Estado de Amazonas diz que a força policial mais próxima está em Humaitá, e que o Estado de Rondônia, que deveria atender os problemas da região, segundo o termo de acordo da Secretaria de Segurança de Rondônia para os problemas que atingem os dois estados na Ponta de Abuná.. 
Assim, apesar de reiterados ofícios e pedidos da Ouvidoria Agrária Nacional, ameaçado e sem proteção até o momento, o próprio presidente do PAF acha que já não tem mais condições de morar nele.
As ameaças recebidas em janeiro foram diretamente do suspeito da morte de Adelino Ramos, que tinha sido liberado em dezembro de 2011. Ozias Vicente foi morto pouco depois em provável queima de arquivo, porém as ameaças se intensificaram por parte do irmão do falecido, Luiz Vicente Machado, e se estenderam a todas as famílias do Assentamento, achando que o irmão dele "teria morrido por culpa dessa maldita terra".
A situação é tão grave, que com capacidade para mais de 100 famílias, atualmente não chegam a vinte as famílias que moram no PAF. O Assentamento Agroforestal Curuquté é uma proposta de assentamento sustentável, está legalizado e diversos recursos como construção de estradas, moradias e outros estão sendo providenciados, porém ninguém resolve o problema de segurança. 
Como nos outros problemas de ameaças e mortes da região, a fonte dos problemas é o intenso tráfico clandestino de madeira da região. O PAF Curuqueté teria mais de 4.000 m3 de madeira de ipê, de altíssimo valor econômico. Muita madeira está sendo tirada de dentro do estado de Amazonas pelas estradas de Vista Alegre do Abuná, Nova Califórnia e Extrema, distritos de Porto Velho. O dia que puder aplicar o plano de manejo sustentável para as famílias do assentamento (se restar alguma), a madeira nobre já terá sumido do local e do entorno.

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