terça-feira, 24 de abril de 2012

A morte de Dinhana segue impune


Casa queimada de Dinhana Nink no PDS Gedeão, no sul de Lábrea, AM



Confirmando a falta de justiça e de Estado de Direito na Ponta de Abuná e Sul de Lábrea, no Amazonas, por enquanto continua impune a morte de Dinhana Nink, em 30 de março de 2012. Com este homicídio são quatro as mortes por motivos agrários e ambientais em Rondônia em 2012. A informação foi divulgada à  CPT RO pela Ouvidoria Agrária Nacional, segundo ofício recibido do delegado da Polícia Civil de Extrema (distrito de Porto Velho, RO), doutor Talles Emanuel Vasconcelos Beiruth. No ofício de 18.03.12, ainda nenhum suspeito da autoria ou mandante do homicídio foi anunciado: "Esta autoridade encontra-se empenhando os esforços possíveis dentro das possibilidades desta Delegacia de Polícia para obtenção de elementos acerca das circunstâncias e autoria do homicídio".Para o delegado Talles Emmanuel Beiruthe "A referida vítima não possui qualquer ligação
com movimentos agrários, ou que sequer posssua atividades ligadas a lavoura, extrativismo, agropecuária, ou afins, sendo certo que suas atividades dentro do território localizado ao Sur de Lábrea - AM, denominada "Agrovila Nova Lábrea" se restringia a tocar um estabelecimento comercial de bebidas alcoólicas (bar) em imóvel de propriedade do seu genitor".
Segundo o site rondoniavivo, duas pessoas consideradas suspeitas pela morte da vítima prestaram depoimento, mas foram liberadas após serem ouvidas. Precisamente pela atividade dela no bar, Dinhana sabia de mais sobre os madereiros clandestinos da região.

Dinhana sabia de mais sobre os madereiros.
Enquanto trabalhava, Dinhana ouvia conversas sobre as atividades das madeireiras. “O povo bebia e falava”, a informação é de Nilcilene, duma das líderes do Assentamento Gedeão, ameaçada e protegida pela Força Nacional.  “Tem muita gente lá que vive de madeira. Serra de dia, e tira de noite. Eles dizem que tem que ter cuidado na hora de entrar com o caminhão de noite. Se a polícia pega, não pode prejudicar os donos. Se pegar, não pode de jeito nenhum falar quem era o dono da madeira”.
A organziação Justiça Ambiental após a morte dela, denunciou que Dinhana tinha sido uma das poucas entrevistadas que denunciou a quadrilha sem medo de mostrar o rosto: “Bote meu nome aí, eu vou falar sim. Eles mandaram calar a boca, mas eu não calo. Vou ter a coragem da Nilce e denunciar quem me ameaça”.  
A morte de Dinhana estaria relacionada à força do crime organizado que se formou na região, graças ao comércio ilegal de madeira combinado com a ausência do Estado. Assassinada na frente de seu filho de cinco anos, ela vinha sofrendo ameaças depois de ter denunciado agressões de um dos seus clientes, relacionado com o comércio ilegal de madeira combinado com a ausência ou anuência das autoridades do Estado.  
Tudo teria começado em novembro, quando um de seus clientes no bar, Jheferson Arraia Silva, bebeu demais e começou a provocar briga. "Ela pediu que fosse embora, ele ficou agressivo. Dinhana não era mulher de ficar calada. Apanhou, mas também bateu".
Depois registrou tudo na polícia. “Eles não gostaram que eu fui na polícia e, na semana seguinte, a mãe dele começou a mandar recado”, Dinhana disse. Suzy Arraia Silva, mãe de Jheferson, é citada em diversos relatos dos pequenos produtores rurais da região pela proximidade com a quadrilha. “Ela dizia que não ia ficar em branco, que ia queimar minha casa, que ia ter vingança”.

Morta após denunciar ameaças na Delegacia.
Assustada, Dinhana decidiu mudar para Nova Califórnia, a vila mais próxima, já no estado de Rondônia. Mas, enquanto procurava lugar para ficar, sua casa e bar no assentamento foram queimados, com tudo dentro. “Ficou tudo no chão, preto, queimado. O freezer ficou miudinho. Minha dor maior foi ver os meninos revirando as cinzas. Eles foram catando coisas para levar embora. Mas eu não deixei, tava tudo queimado”.
Dinhana procurou a Força Nacional. “Me indicaram a polícia. Fui no posto da PM de Nova Califórnia, eles disseram que não podem fazer nada porque são de Rondônia e lá é Amazonas”. No Boletim de Ocorrência registrado na Polícia Civil de Rondônia, ela fala das ameaças. Segundo o boletim de ocurrência de Dinhana, Suzy Arraia Silva “teria dito que iria eliminar três pessoas da localidade”. Dinhana era uma delas. Mas a polícia nada fez sobre o caso.

Não foi morte por motivação passional.
Desmentindo as primeiras informações que esta própia CPT RO tinha recolhido, o pai de Dinhana, Ermelindo Nink, 50 anos, disse que não acredita na possibilidade de a morte da filha ter motivação passional. "Ela era casada e tinha três filhos. O marido dela estava comigo reformando a casa onde iriam morar aqui em Lábrea. Ela estava de mudança e se mudaria hoje [sexta-feira] para cá. Minha filha tinha feito algumas denúncias, ela ajudava muito o pessoal da pastoral no Amazonas."
Nink afirmou ainda que ele saiu de Lábrea em fevereiro de 2011 após sofrer agressões e os filhos terem sido ameados de morte na cidade. "Ninguém faz nada lá. As autoridades não resolvem nada. É muito desmando por parte das autoridades do Amazonas. Há muito interesse nas terras daquela região. Tudo gente graúda", disse o pai da vítima. Tal e como parece andar na apuração do crimem de Dinhana, parece que em Rondônia também se confirma a afirmação de Ermelindo, e até agora ninguém foi culpado.

Fontes: cpt ro, cpt am, tudorondonia, brasilatual, acritica, rondoniagora.

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