quarta-feira, 11 de abril de 2012

Criança pode ter proteção

  Governo avalia proteção a filho da extrativista morta em Nova Califórnia. A informação é da Kátia Brasil na Folha de São Paulo. A SDH (Secretaria de Direitos Humanos) da Presidência da República estuda conceder proteção a um filho de uma Dinhana Nink, 27 anos, que morreu no último dia 30 após ser atingida por um tiro de espingarda no rosto no distrito de Nova Califórnia (, Porto Velho, RO), região da divisa com Acre e Amazonas. A Polícia Civil de Rondônia diz não ter pistas dos responsáveis. Segundo a CPT regional de Amazonas, Nink denunciava a retirada ilegal de madeira e grilagem de terra dentro do PDS (Projeto de Desenvolvimento Sustentável) Gedeão, criado pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), no sul de Lábrea (AM). A casa de Nink no PDS já havia sido incendiada em novembro de 2011 --a extrativista registrou queixa e disse que mais dois moradores do assentamento seriam mortos. Já o Movimento de Mulheres do Sul de Lábrea publicam nota denunciando os suspeitos da morte, pois segundo elas (ver nota ao final) " O crime foi uma represália pelo fato de Dinhana ter denunciado Sueli Arraia e o filho Jeferson Arraia, pela prática ilegal de extração de madeira, no sul do Amazonas".


Como um filho de seis anos da extrativista presenciou o crime, e a família é alvo de ameaças de morte, o governo federal estuda incluir a criança em um programa de proteção. São requisitos para a inclusão, segundo a SDH, as informações sobre as ameaças sofridas e, se possível, o registro policial. Recebendo o pedido de inclusão, a equipe técnica federal ou estadual, após o atendimento, elaborará um parecer e o caso será submetido à coordenação nacional ou estadual do programa. A coordenação definirá o possível tipo de proteção a ser adotada.

A morte da extrativista é investigada pela delegacia de Extrema, outro distrito de Porto Velho. A delegacia conta com apenas um carro e não tem condições técnicas de fazer, por exemplo, um retrato falado.
A SDH informou que solicitou em dezembro de 2011 ao governo do Amazonas aumento de segurança no sul de Lábrea. Na área dos assentamentos, existem oito pessoas ameaçadas de morte. Duas delas recebem escoltas de militares da Força Nacional de Segurança. O nome de Nink na lista de ameaçados de morte havia sido registrado pela comissão em janeiro deste ano.



NOTA DE REPÚDIO E SOLIDARIEDADE
Nós do Movimento de Mulheres Camponesas, diante dos fatos ocorridos em Lábrea / AM, queremos manifestar nossa indignação pela ineficácia das autoridades.
Mais uma vez deparamos com as impunidades que rondam nosso Brasil, no dia 30 de março foi assassinada com tiros no peito a companheira Dinhana Nink de 28 anos, na frente de seu filho de 5 anos de idade. Dinhana era agroextrativista do município de Lábrea / AM. Motivada por um sentimento nobre, de coerência com seus princípios de preservação da biodiversidade e contra o desmatamento ilegal, foi levada a denunciar a extração ilegal de árvores na Amazônia. O crime foi uma represália pelo fato de Dinhana ter denunciado Sueli Arraia e o filho Jeferson Arraia, pela prática ilegal de extração de madeira, no sul do Amazonas.

Desde a denúncia, Dinhana já vinha sofrendo várias ameaças, e, estas foram cumpridas. Foi agredida fisicamente por Jeferson Arraia e teve sua casa incendiada em novembro do ano passado, e, em virtude destes fatos, atualmente estava morando no município de Nova Califórnia – RO.
São inúmeras as lideranças ameaçadas por madeireiros, grileiros e pistoleiros na região amazônica. Como a morte de Maria do Espírito Santo e do seu esposo José Claudio Ribeiro da Silva, no Pará, em 2011. Coincidentemente, ou não, no mesmo dia em que foi aprovado, na Câmara dos Deputados, o novo Código Florestal, criticado por organizações sociais e líderes ambientais, Também devemos considerar que, a maioria das lideranças mortas e que ainda sofrem ameaças estão engajadas na defesa das florestas e da conservação da biodiversidade. Há um grande interesse financeiro por trás de todas e estas mortes. Mostra da ineficiência e a falta de presença do estado para coibir as atrocidades do latifúndio e do capital.
Exigimos das autoridades a apuração dos fatos ocorridos e que sejam tomadas as devidas providências, pois a impunidade só gera mais injustiças!
Nossa solidariedade á família e a comunidade de Lábrea, pela perda de mais uma grande lutadora incansável pela defesa da Amazônia Brasileira.
“Fortalecer a Luta em Defesa da Vida, Todos os Dias”!
Movimento de Mulheres Camponesas – MMC Brasil

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