segunda-feira, 2 de abril de 2012

Agricultura familiar, café e conflitos agrários em Rondônia.


Foto: D. Amazonia.
 A agricultura familiar de pequenos agricultores de Rondônia detém apenas 1/4 parte do território de agricultura do estado. Apesar disso: "Rondônia é o estado campeão da agricultura familiar no Norte, com mais de 75 mil estabelecimentos, de acordo com o Censo Agropecuário de 2006. O setor responde por nada menos de que 74% do valor bruto da produção agropecuária do estado, e emprega 233.355 pessoas, o equivalente a 84% da mão de obra que trabalha no campo. É, ainda, o maior produtor de café da região Norte, sendo que 90% da produção vem da agricultura familiar. Os agricultores familiares são responsáveis ainda por 93% da produção estadual de feijão, 92% da de mandioca, 82% do leite, 65% das aves e 49% dos bovinos". Estes datos são do Departamento de Comunicação do Governo de Rondônia (DECOM).
Já o café foi tema de audiência pública sexta feira (30) em Cacoal. Depois de acabar as derrubadas das florestas, a produtividade do café vem caíndo ano após ano em Rondônia. A produtividade e comercialização de café de qualidade e sem veneno é defendido faz décadas pela COACARAM, cooperativa de pequenos produtores de café de Rondônia. Como adaptar de forma sustentável esta cultura de café canilon sem destruir o bioma amazônico ainda é um reto para os colonos de Rondônia.


Em Ouro Preto do Oeste esta semana (27.03.12) o Ministro do MDA, Pepe Vargas, e o Presidente do INCRA Celso Alvarenga tinham anunciado apenas créditos do Pronaf destinados para piscicultura, pastos degradados e mais gado leitero. Também formava parte do pacote para pequenos agricultores crédito fundiário para comprar 2.500 hectares de terras, veículos para os territórios da cidadania, retroescavadieras para as prefeituras arrumar estradas, repasse de títulos urbanos, alguns poucos títulos do terra legal e outras políticas públicas.
Enquanto o Governador de Rondônia, Confúcio Moura, pedia a reforma agrária de "baixo para cima", afirmando  querer resolver os problemas de conflitos agrários.“Temos que acabar com a cultura de adquirir terra nos confins das matas e jogar as famílias sem estradas, longe de escolas e de recursos de saúde. O estado pode localizar áreas próximas das cidades, de escolas, de transporte, enfim, de uma infraestrutura mínima, que garanta o sucesso do assentado”. “Temos gente morando há dois, três anos em acampamentos de lona a beira de estradas. Isso não é mais possível".
Bonito discurso, para quem quer fazer aquilo que não é competência do Estado, mas do governo federal.
Segundo algun sites "o governador fez uma eloqüente pregação em defesa da paz no campo. “Vamos buscar o fim dos conflitos, acabar com as mortes, desarmar o espírito e a cintura. Já nos expusemos demais aos conflitos da vida. Não vamos escrever com o sangue derramado a omissão do estado”.
Os movimentos sociais e grupos de posseiros continuam cobrando que sejam presos os pistoleiros que intimidam, ameaçam e matam os pequenos agricultores, que continuam agindo com impunidade no Estado. "Por enquanto os presos foram somente lideranças nossas",  reclamavam pequenos agricultores de Vilhena, referindo-se a prisão do presidente do STTTR, sindicato dos pequenos produtores, Udo Wahlbrink, e outras lideranças que agiram em defesa própria num confronto em Chupinguáia.
Como prova, dezenas de cópias de boletins de ocorrência da região sem atender foram entregues à Ouvidoria Agrária Nacional os passados dias 15 e 16 de Março.

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