terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Mais de 120 famílias enfrentam ordem judicial de despejo no Acampamento Canaá, em Ariquemes, Rondônia.


Família do A. Canaá, em Ariquemes, onde existe grande produção de bananas.
Após serem procurados por membros da comunidade, Padre, irmâs da paróquia de Jaru, agentes da CPT e representantes do Deptado Padre Ton visitaram á Área do Canaá, em Ariquemes, onde arredor de 120 famílias tem recebido ordem iminente de despejo. Segundo os moradores, na terra da citada área, de 1.160 alqueires, as famílias estão assentadas e trabalhando desde 2003. Eles receberam recentemente representantes do governo do estado pedindo para sair de lá e oferecendo outras terras. Eles não aceitam pois a área atual é muito fértil e faz dez anos que trabalham nela. Esta área era uma fazenda com contrato de alienação de terras públicas (CATP). Porém o cultivo de cacau, previsto no contrato, foi logo abandonado e a terra vendida a terceiros de forma fraudulenta. O INCRA entrou em processo de retomada da área como terra pública, que está em curso na justiça federal. Apesar disso o juiz da 3a vara Cível de Ariquemes,  José Augusto Alves Martins, insiste em despejar as famílias, a pedido de terceiros que teriam comprado o local de forma fraudulenta.


Mais de cem famílias estão morando e trabalhando no Acampamento
. Canaá, em Ariquemes.

Em nota divulgada os moradores declaram  "Quando chegamos, em 2003 as fazendas “Arrobas” e “Só Cacau” estavam totalmente abandonadas. Até franceses que moram em São Paulo estão entre os que se dizem donos das terras. O único documento que eles têm é um contrato com o Incra, que dava a eles o direito de trabalhar na terra, não a posse dela. Não cumpriram o contrato e ainda usufruíram de financiamentos, conseguidos graças ao documento. Hoje dá gosto andar no Canaã! Temos várias casas, tuias, galinheiros, chiqueiros, gado leiteiro, farinheiras, cacau e café secando, arroz na pilha, feijão pra colher, horta e vários outros cultivos. Temos um barracão da Assembleia, um postinho de saúde, uma máquina de limpar arroz e uma triadeira, mais de 10 quilômetros de estradas construídos e reformados com nossos esforços. Um ônibus escolar passa no Canaã duas vezes por dia para buscar os alunos. Também temos duas turmas de alfabetização de jovens e adultos."




As irmãs de Jaru mostram a fartura de alimentos do Canaá.

Na terra muitas famílias criam os seus filhos com dignidade.

Realmente, no local os moradores tem construído centenas de casas. A produção de fruteiras, expecialmente banana e de outras lavouras, como café e cacau,  é muito alta.

Arroz no caho no Acampamento Canaá


Barracão da Associação Canaá, de Ariquemes.


5 comentários:

  1. caramba deixem o povo ter esse pedaço de terra,que é deles por direito

    ResponderExcluir
  2. E DESDE QUANDO ALGO ROUBADO PERTENCE AO LADRAO?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Quem é ladrão? Quem recebeu do governo a terra, a condição de realizar um projeto de plantio de cacau que foi abandonado? A própria Constituição da República reconhece que a terra deve cumprir uma função social. Sem reforma agrária sendo realizada, somente as ocupações de terra permitem que isso seja cumprido.O pedaço de terra dos posseiros estava abandonada.
      O INCRA está negociando para que os direitos legítimos de ambos lados sejam tidos em conta.

      Excluir
  3. Ao contrário do que diz a Comissão Pastoral da Terra, as terras invadidas não estavam abandonadas. Deixem de mentir. Vcs sabem muito bem que ali havia um projeto de manejo legal,todo legalizado e em andamento. Gente mentirosa. Até mesmo assassinos já foram encontrados neste acampamento, além de homicídios ali mesmo realizados pelos tão "coitadinhos" sem-terra. Gente foragida da justiça que ali se esconde sob a capa de sem-terra. É inacreditável como como a própria igreja se encarrega de disseminar a mentira. Aliás, a igreja católica continua como sempre foi: alienando, desde a Idade Média, quando assassinava por qualquer coisa. Digam que estou mentindo. Provem que estou errado.

    ResponderExcluir
  4. Prezado comentarista. Obrigado pelo seu comentário, apesar de não concordar com suas afirmações. Pela informação repassada pelo INCRA em audiências públicas e processos judiciais, a Fazenda Arroba Só Cacau é uma terra de CATP (contrato de Alienação de Terras Públicas)por tanto um título provisório, pelo qual terras públicas foram entregues a condição de cumprir condicionamentos, como o projeto de exploração de cacau. O mesmo somente foi plantado em parte e abandonado. Apenas alguns dos pés de cacau sobreviveram no meio da mata encapoeirada. O fato tem sido demonstrado em diversas vistorias, a última recente. Desqualificar os agricultores que reivindicam maior justiça e um pedaço de terra para sobreviver não resolve o problema agrário. No Acampamento Canaá, o INCRA pediu a terra de volta para domínio público, afim de destinar a reforma agrária. A justiça federal de Porto Velho, numa sentença bem discutível, sentenciou contra o INCRA, cabendo recurso do mesmo. Por outro lado existem propostas de negociação para resolver de forma pacífica o conflito existente. Sobre a CPT, dizer que trata-se duma organização ecumênica, que acolhe a igreja católica, luterana e participantes de outras diversas igrejas evangélicas. E os ataques referente a Idade Média e a alienação acreditamos são injustos e nada imparciais. Onde estava sua igreja naquela época?

    ResponderExcluir

Agradecemos suas opiniões e informações.