terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Seringueiros brasileiros residentes na Bolívia pedem apóio.

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Protesto de seringueiros residentes na Bolívia em Extrema, Porto Velho. Foto e fonte rondoniavivo.
Seringueiros brasileiros que residem há décadas no interior da Bolívia, no Rio Mamu, no departamento do Pando, realizaram protesto obstruindo Porto Extrema e exigindo ajuda diplomática das autoridades brasileiras. As famílias residem perto da divisa brasileira entre Rondônmia e Acre, na Ponta de Abuná,  nas Províncias de Federico Roman e Abuná, ambas situadas na região pandina boliviana.  Os problemas surgiram há mais de cinco anos, depois que novos assentamento impulsados pelo governo boliviano ameaçam as posses dos seringais nativos do Rio Mamu, habitados por brasileiros desde os dois primeiros ciclos da borracha, e com maior intensidade a partir da década de 70/80, quando os seringais da Amazônia – Sul ocidental, começaram a ser destruídos pelo desmatamento e apecuária no lado brasileiro. Em protesto pelos maus tratos neles teriam mantido refém um tenente boliviano, acusado de cobrar propina.

Os brasileiros ficam espalhados em aproximadamente 140 km de extensão do Rio Mamu. Seringueiros brasileiros e bolivianos ali residem a mais de um século em boa convivência. Porém, a partir de 2006 começaram a chegar extratores de castanha, oriundos principalmente da cidade Riberalta. Também chegaram campesinos provenientes dos Andes bolivianos, assentados pela política de reforma agrária do INRA  do governo de Evo Morales. Muitos destes bolivianos de origem colla, que foram reassentados em Pando, já abandonaram os seringais por falta de assistência do Governo Boliviano e por possuírem uma cultura totalmente diferente do extrativismo vegetal.
Já os campesinos oriundos da cidade de Riberalta só aparecem no Rio Mamu durante a safra da castanha. Patrocinados por empresas do ramo da castanha, eles chegam armados, se apossam da castanha dos seringueiros e logo em seguida repassam àqueles que financiaram a organização paramilitar.
Devido às constantes ameaças sofridas por seringueiros brasileiros e registradas por diversas vezes no Consulado Brasileiro de Cobija e na Embaixada Brasileira em La Paz, o Governo Boliviano ameaçou expulsar os brasileiros, em base a lei da Constituição Federal Boliviana, que determina que estrangeiros não podem residir na franja de 50 km de sua fronteira.
Em protesto pelo abandono das autoridades brasileiras,  seringueiros obstruíram o Porto Extrema até o dia 14 de dezembro. No dia 10 de janeiro de 2012 chegou um representante da Embaixada Brasileira em La Paz em Extrema (Porto Velho, RO), o secretário Geral da Embaixada Brasileira em La Paz, Kaiser Pimentel de Araújo, para ouvir as denúncias de maus tratos aos brasileiros que moram há anos dentro do Rio Mamu. 
Alkém da Embaixada de Brasil em Bolívia, os seringueiros receberam o apóio dos Pescadores de Extrema e da Comissão Pastoral da Terra - CPT-RO, representada na região pelo conselheiro regional da Ponta do Abunã Sérgio Brito.
Sérgio Brito anunciou que a CPT iria fortalecer a luta dos seringueiros na conquista de seus direitos de posse das terras que ocupam faz décadas.
O Rio Mamu nasce nas proximidades do município de Santa Rosa del Abuná e torna-se afluente do Rio Abunã no município de Santos Mercado. O Mamu possui aproximadamente 140 km de extensão e sua nascente pantanosa, habitat natural de sucuris e da palmeira buriti, encerra seu percurso de muitas curvas no seu último seringal, denominado Jerusalém. Depois do Seringal Jerusalém pode-se avistar as águas cristalinas brotarem desenfreadas e silenciosas meio a um notável pântano que enfeita a heterogeneidade da floresta ainda virgem de nossa Amazônia exuberante. Do outro lado do invejável berço pantanoso, iremos deparar – nos com uma pequena comunidade localizada no Município de Santa Rosa Del Abuná, chamada de Teduzara, que já fica localizada às margens do Rio Orton.

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