segunda-feira, 26 de dezembro de 2011


Dom Esmeraldo, novo arcebispo de Porto Velho

Nas festas do Natal, o novo arcebispo eleito de Porto Velho convida em Carta Pastoral a olhar em meio as dificuldades, as realidades urbana e rural, com "o olhar da esperança que não decepciona" (Rm 5,5), pedindo de assumir como Jesus a realidade "a fim de contribuirmos para a edificação do seu Reino, Reino de justiça, de solidariedade, de partilha, de paz", lembrando que conheceu esta Arquidiocese de Porto Velho participando do XII Intereclesial, nos pede de trabalhar na missão da Igreja de estar "Evangelizando à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres,  para que todos tenham vida". Veja a carta complerta abaixo.


Fonte: http://http://www.arquidiocesedeportovelho.com.br/informativo.php?news=1641Carta de Dom Esmeraldo ao Povo de Deus em Porto Velho (RO)



Data: 05/12/2011 - 12:19H

Queridos Irmãos e Irmãs da Arquidiocese Sagrado Coração de Jesus em Porto Velho,
Irmãos Religiosos e Religiosas,
Irmãos Seminaristas,
Irmãos Presbíteros.
Preparando-nos para celebrar o Natal de Jesus Cristo, recebo o chamado de Deus para me dirigir a Porto Velho. Pouco conheço da história e da vida dessa Igreja Particular, mas sei que aí também há um povo numeroso que pertence a Deus (cf. At 18,10), que tem acolhido a sua santa Palavra e assumido o caminho do seguimento a Jesus Cristo, como caminho para a edificação do Reino de Deus. Em meio a esse povo, Deus colocou o seu servo pastor missionário D. Moacyr Grechi.
A celebração do Natal que se aproxima me faz mergulhar com maior intensidade no Mistério da Encarnação do Filho de Deus, para que, animado com as várias testemunhas da fé dessa Igreja de Porto Velho, possa estar com os olhos fixos em Jesus, que vai à frente da nossa fé e a leva à perfeição (cf. Hb 12,1-2).
O Mistério da Encarnação nos convida a contemplar na realidade de hoje, realidades urbana e rural, a ação do Espírito de Deus. Por isso, em meio às dificuldades, sofrimentos, alegrias e desafios, o olhar que nos envolve é o olhar da esperança que não decepciona porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações (cf. Rm 5,5). Essa contemplação precisa marcar de modo muito claro a nossa espiritualidade a fim de que, superada toda dicotomia, o processo de evangelização possa continuar avançando com atenção à pessoa, oferecendo sempre mais oportunidades para o encontro com Jesus e a vivência em comunidade.
Jesus, ao assumir as realidades da vida, nos aponta para o projeto do Pai, a fim de contribuirmos para a edificação do seu Reino, Reino de justiça, de solidariedade, de partilha, de paz que marque concretamente a vida de nossa sociedade.
Em 1972, reunidos em Santarém (Pa), os bispos da Amazônia deixaram um belo testemunho escrito que continua sendo muito atual, porque fundado na vida de Jesus Cristo, seu mistério da Encarnação e da Páscoa, inspirado no Vaticano II, na encíclica Populorum Progressio e em Medellín e também porque os bispos traziam no coração a realidade do povo da Amazônia e, diante dos desafios, pediam luzes ao Espírito Santo. Esse documento revela o sentido profundo da comunhão que os bispos da Amazônia sempre buscaram, desde aquele primeiro encontro em 1952, por ocasião do Congresso Eucarístico em Manaus.
Na Encarnação e na Páscoa, estão motivos profundos que nos fazem estar convencidos da missão para a qual somos chamados e consagrados pela Trindade Santa. Isto está muito claro no documento de Aparecida quando aponta para a importância e a necessidade de uma conversão pessoal e pastoral em vista de uma pastoral decididamente missionária (DAp 366.370).
As Diretrizes Gerais da ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, com muita razão e em boa hora, convidam o Brasil inteiro a viver o Estado Permanente de Missão. A partir do encontro com Jesus Cristo, ir ao encontro das pessoas e aí contemplar a ação de Deus. Logo se vê que o protagonismo não é nosso. A Obra é de Deus! Somos chamados a ser servos, pois do ser configurado com Cristo decorre um agir conforme ao de Cristo, Cristo servo missionário (cf. DFPIB 50).
Nesse estado permanente de missão, a Palavra de Deus ocupa um lugar especial em nossa vida e na missão. Precisamos acolher essa palavra, meditá-la pô-la em prática, porque nessa palavra, que é Jesus Cristo, está a vida, a alegria, a paz e a felicidade!
Sei que vocês já têm contribuído muito para que essa palavra santa seja escutada como voz da Amazônia, sempre vista com o rosto da Amazônia, tendo como casa a comunidade que se fortalece em cada lugar dessa Igreja particular e como caminho aquele que se fez palavra, o verbo que se fez carne.
O estado permanente de missão nos convida e fortalecer as comunidades. Para mim foi uma bênção de Deus haver participado do Inter-eclesial das CEBs, celebrado em Porto Velho. Pude escutar a partilha e ver experiências de Comunidades enraizadas no Evangelho, celebrantes do mistério pascal, solidárias, missionárias, trabalhando o processo de iniciação à vida cristã e vivendo o dinamismo da comunhão para a missão e da missão que conduz à comunhão.
Viver a missão é estar aberto ao serviço da vida plena para todos, pois Jesus Cristo veio “para que todos tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10).
Irmãos e Irmãs na Igreja Particular de Porto Velho, Deus os tem confirmado na missão. Rezem também por mim para que, em comunhão, possa viver o discipulado missionário tão necessário em nossa realidade da Amazônia.
A exemplo de Maria, como discípulo missionário, possa eu ter ouvidos para escutar e para aprender; olhos e coração para ver e discernir os sinais da ação de Deus e disponibilidade para que possa colaborar na evangelização a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, evangelizando à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres para que todos tenham vida, rumo ao Reino definitivo.
Se Deus quiser, estarei com vocês no início de março de 2012 para viver o caminho da Páscoa. Rezem por mim junto ao presépio; nas celebrações eucarísticas; nas celebrações da Palavra; nos encontros das comunidades, das pastorais, movimentos e dos vários grupos; nas famílias; nas escolas. Afinal de contas, nossa força vem de Deus e precisamos alimentá-la. Tenham a certeza de que já trago cada pessoa presente em meu coração.
Desejando a cada pessoa, a cada família, a todas as comunidades e Paróquias, aos religiosos e religiosas, aos seminaristas e, de modo muito especial, aos irmãos presbíteros, aos irmãos bispos D. Moacyr Grechi e D. José Martins da Silva dessa Igreja dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, e de todo o Estado de Rondônia,um abençoado Natal, peço que o Deus da vida, da misericórdia e da paz os abençoe.

Em Jesus Cristo missionário,

D. Esmeraldo Barreto de Farias
Fonte: http://www.arquidiocese.com.br

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