segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Decreto dispensa de licença ambiental plantio de "desertos verdes"


Plantio de eucaliptus
Incentivando o plantio de monoculturas de madeira, empresários de Vilhena estariam projetando a instalação de uma indústria de papel e celulose no estado de Rondônia. Um "Plano Estadual de Floresta Plantada" estaria sendo produzida pelo Governo do Estado de Rondônia em parceria com o agronegócio. A informação é de folheto editado pelo Deputado Estadual Jaques Testoni. Para o tal o Governo Estadual já editou decreto dispensando a licença ambiental para o plantio de árvores para fins comerciais, inclusive eucaliptus e outras espécies exóticas prejudiciais para o bioma amazônico.


Ao contrário dos supostos efeitos benéficos do plantio de espécies exóticas (extranhas a região amazônica), o plantio de monoculturas como o eucaliptus, provoca desertização, pérdida de fertilidade do solo, um lugar onde os insetos e animais nativos não podem viver, poucos empregos, concentração de terras e êxodo rural, e ao final, mais desmatamento das árvores nativas da Amazônia. Se é verdade que o governo estadual está produzindo este "Plano Estadual para as Florestas Plantadas", medidas que limitem e corrijam o plantio de espécies exóticas prejudiciais devem ser implementadas, e organizações ecologistas e ambientalistas teriam que estar representadas.

Segundo folheto do Deputado Jaques Testoni: "Agora plantar árvores em Rondônia é um grande negócio". Segundo esta informação, enquanto o plantio de árvores exóticas (eucalipto, pinus e teca) está totalmente livre o plantio, transporte e comercialização, para as espécies nativas como o pinho cuiabano, está livre, porém precisa se cadastrar na SEDAM/RO. Porém ao contrário do que afirma o panfleto de Jaques Testoni, plantar eucaliptus não é "ambientalmente correto", nem "socialmente benéfico".
Nós acreditamos que plantar árvores é importante para a recuperação das águas e da fertilidade dos solos de Rondônia, altamente devastada pela deforestação das matas nativas da Amazônia e pela pecuária. Porém plantar monoculturas de árvores "exóticas", é dizer, de outros lugares, não cumpre os pretendidos efeitos benéficos da lei: recuperar os solos e as águas.


O plantio de monoculturas de eucaliptus
tem provocado muitos protestos no Brasil e no mundo inteiro.

Através do Decreto N. 15.933 de 03/05/2011, publicada em 20 de maio de 2011,  e Instrução Normativa N. 01/SEDAM/RO de 30/05/2011 seria dispensada a licença ambiental para as culturas exóticas. Assim esta lei abre caminho livre para a monocultura e o plantio de espécies exóticas, com o eucaliptus,  prejudiciais para o  bioma amazônico e para o estado de Rondônia. Enquanto a única restrição que prevê a lei estadual n. 15.933 é que as monoculturas madereiras devem ser plantadas em áreas de agropecuária, subutilizadas ou degradadas, e não podem ser plantadas dentro das Áreas de Proteção Ambiental (APP) ou nas áreas de Reserva Legal das propriedades.  Muitos estudos técnicos têm comprovado os efeitos novivos para o meio ambiente dos plantios massivos de eucaliptus para celulose, motivando serem chamados de "desertos verdes".
A experiência de plantios massivos de eucaliptus em outros estados brasileiros, tem provocado efeitos desastrosos, como:
- Desertificação das regiões plantadas: por serem árvores de crescimento rápido, há grande absorção de água, podendo levar ao secamento das nascentes e exaustão de mananciais de água subterrânea, afetando seriamente os recursos hídricos locais. Estudos apontam que no Espírito Santo 130 córregos secaram após a introdução da monocultura no estado, o que impacta nas comunidades que vivem nas regiões vizinhas.

- Prejuízo aos solos: como toda monocultura, há exaustão dos solos, o que inviabiliza outras culturas. Além disto, o solo fica exposto durante dois anos após o plantio e dois anos após a colheita, facilitando a erosão.
- Redução da biodiversidade: a alteração do habitat de muitos animais faz com que nas regiões de monocultura de árvores só haja formigas e caturritas, a folha do eucaiptuis contém um repelente que afasta os insectos e todo tipo de animais, provocando um bosque sem vida.
- Concentração de terras: para produzir em grandes extensões, as terras são adquiridas aos agricultores, que se deslocam da região gerando um vazio populacional, associado ao êxodo rural.
- Pouca geração de empregos: as monoculturas são altamente mecanizadas.
- Desmatamento: no Brasil, a associação do eucalipto como alimento aos fornos das siderúrgicas tem induzido o desmatamento nas regiões vizinhas a estas indústrias.

2 comentários:

  1. Caros amigos da Pastoral da Terra, creio que falte um pouco de estudo sobre as pesquisas já feitas pela Embrapa e por outras entidades ligadas a culturas do agronégocio. O resfloestamento de eucalipto ou outras arvores madeireira são muito importante para a preservação da amazonia. Creio que se não fosse o fornecimento de madeiras como pinus e eucalipto, a amazonia estaria mais precionada para atender a demanda de produtos madeireiros pelo Brasil e do Mundo.
    O reflorestamento comforme pesquisas feitas, recupera áreas degradadas e ao contrário do que pensam, segura a umidade do solo, visto que suas raizes são superficiais não chegando ao lençol freatico, além de ser uma popança para pequenos produtores rurais, destinando pequena parte de suas áreas.

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  2. Amigo comentarista anônimo, se esta é a sua opinião, era bom ter dado a cara e deixado o seu nome. Os inconvenientes do plantio de monoculturas exóticas como o eucaliptus está comprovado e demonstrado. Em alguns lugares moradores próximos a grandes plantios de eucaliptus passaram a ter que ser atendidos por carros pipa das empresas após plantio de eucaliptus a grande escala. Por outro lado, as folhas são repelentes de insetos e nos bosques que somente tem eucaliptus apenas tem vida. Neles não dá para ouvir nem os cantos dos passarinhos, pois sem insetos poucos passaros os habitam.As espécies locais não tem como sobreviver,e o ambiente fica muito ressecado, sendo muito perigoso qualquer incêndio. Daí ser chamados de desertos verdes. Neles nem pessoas nem animais tem espaço para viver.

    Veja o que diz a Wikipédia sobre os problemas ambientais os riscos de:
    Desertificação das regiões plantadas: por serem árvores de crescimento rápido, há grande absorção de água, podendo levar ao secamento das nascentes e exaustão de mananciais de água subterrânea, afetando seriamente os recursos hídricos locais. Estudos apontam que no Espírito Santo 130 córregos secaram após a introdução da monocultura no estado, o que impacta nas comunidades que vivem nas regiões vizinhas.
    Prejuízo aos solos: como toda monocultura, há exaustão dos solos, o que inviabiliza outras culturas. Além disto, o solo fica exposto durante dois anos após o plantio e dois anos após a colheita, facilitando a erosão.
    Redução da biodiversidade: a alteração do habitat de muitos animais faz com que nas regiões de monocultura de árvores só haja formigas e caturritas.
    Concentração de terras: para produzir em grandes extensões, as terras são adquiridas aos agricultores, que se deslocam da região gerando um vazio populacional, associado ao êxodo rural.
    Pouca geração de empregos: as monoculturas são altamente mecanizadas.
    Desmatamento: no Brasil, a associação do eucalipto como alimento aos fornos das siderúrgicas tem induzido o desmatamento nas regiões vizinhas a estas indústrias.

    O termo deserto então provém tanto do efeito de desertificação e erosão dos solos quanto do vazio em biodiversidade e em populações humanas encontrado nas regiões de cultivo. Para mitigar estes efeitos, alguns especialistas propõem o plantio de outras espécies vegetais entre corredores dedicados ao plantio de árvores produtoras de celulose. Entretanto, as empresas resistem à aplicação de tal técnica, pois sua meta é maximizar os lucros. Outros cientistas propõem a pesquisa com espécies nativas para produção de celulose. Segundo eles, tais espécies seriam menos danosas ao meio-ambiente.

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