domingo, 20 de março de 2011

JIRAU: CADÉ A MINHA DIGNIDADE QUE ESTAVA AQUI?

Os últimos acontecimentos ocorridos no canteiro de obras da Usina de Jirau trazem uma séria reflexão a respeito do fato que impressionou a todos que acompanharam as notícias pela televisão, rádio, internet, entre outros meios de comunicação. Os episódios apresentados pelos meios de comunicação de massa geram uma série de questionamentos a todos que acompanham as notícias. Quem é o principal culpado por toda essa confusão? Será que alguém tem uma resposta para esse questionamento? Quem tem a real resposta? Na verdade há várias versões para o fato, várias respostas, porém, a real versão ou a resposta oficial que se queira ouvir talvez nunca seja apresentada.
Mas o interessante no atual momento não é saber quem são culpados ou inocentes e sim como proceder com aqueles que estão sentindo diretamente na pele as causas do episódio ocorrido na última quinta feira. Onde estão? Como estão sendo tratados? Quais os procedimentos que estão sendo tomados para o retorno aos seus estados de origem? Seus direitos trabalhistas estão sendo respeitados? São muitos os questionamentos que surgem a respeito dos operários e das operárias que estão desalojados na cidade de Porto Velho.
Talvez a palavra ideal a ser aplicada a esse contexto fosse “desamparados”, pois, ao analisar a situação dos trabalhadores e trabalhadoras da Usina de Jirau, no ginásio do SESI em Porto Velho, observa-se uma realidade de grande desamparo. Uma situação de total falta de humanidade. Muitos trabalhadores deitados em colchões pelo chão do ginásio a espera de repostas e decisões que serão tomadas no processo de retorno as suas casas, em condições de higiene muito precárias.
Quem observa a realidade vivida atual por esses operários indigna-se com os relatos ouvidos. Uma situação de total insatisfação ao perceberem seus direitos, enquanto seres humanos, serem violados. Até quando o anseio pelo poder e pelo dinheiro vai colocar a dignidade humana abaixo de tudo? De repente, um cidadão, trabalhador, pai ou mãe de família decide vender sua força de trabalho para garantir seu sustento e o sustento de seus familiares acreditando que com isso verá seu maior bem respeitado, a sua dignidade um procedimento que em tese lhe garantirá o respeito de todos, sendo literalmente violado. Será que a sua insatisfação não irá gritar? Será que o desejo de ver seus direitos respeitados não vai sobrepor-se? E mais uma vez surge o questionamento: quem é o principal culpado por tal episódio?
Certamente os antagonistas de toda essa história serão os operários que vieram dignamente vender sua força de trabalho. Mas sabe-se que desde que o Brasil fora invadido pelos portugueses a história desse país sempre foi narrada pelos vencedores e nunca pelos vencidos e que o anseio pelo poder e o dinheiro sempre sucumbiram à dignidade humana.


Sales C. M. Nogueira
Ir. Ozânia

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