quarta-feira, 2 de julho de 2008

PF DESPEJA SEM TERRAS DO INCRA-RO

Centenas de trabalhadores sem terra foram violentamente expulsos ontem da Superintendência Regional do INCRA em Porto Velho. A ação de despejo ocorreu por volta das dezenove horas, quando dezenas de trabalhadores ligados ao Movimento Camponês de Corumbiara resolveram ocupar o bloco do superintendente na perspectiva de cobrar mais celeridade no processo de assentamento do Projeto Jequitibá, localizado em Candeias do Jamari, km 45.
Ao tomar conhecimento da ocupação, o INCRA acionou a polícia federal que agiu rapidez e truculência expulsando de forma brusca e com insultos de baixo calão todos os ocupantes da parte interna do INCRA. É importante que se esclareça que três grupos de assentamentos diferentes estavam ocupando a superintendência do INCRA no dia da Ação. São eles: os acampados do Flor do Amazonas, município de Candeias do Jamari-RO; acampados do P.A Canaã, município de Machadinho do Oeste-RO e P.A Jequitibá, Município de Candeias do Jamari e ligado ao MCC.
Os acampados do Flor do Amazonas ocupam o INCRA há mais de dois meses e Canaã há três dias, ambos de forma pacífica e ordeira. O estopim para tal ação da polícia foi sem dúvida alguma a pretendida ocupação do bloco da superintendência pelos trabalhadores ligados ao MCC. A polícia ao chegar no local não fez questão de reconhecimento dos grupos e colocou todos para fora, numa situação de vexame e constrangimento, pois no momento da ação todos estavam jantando e tiveram que se retirar na base da pressão, insultos e mira das metralhadoras dos policiais que não apresentaram nenhuma possibilidade de diálogo, muito menos um documento que legitimasse sua ação, se é que existe isso.
O fato é que homens, mulheres e crianças foram violentamente expulsos. Depois de muita pressão na parte externa da superintendência é que o Superintendente adjunto (Sr. Júnior) veio até o local e negociou juntamente com policiais e representantes de dois grupos a permissão para retornarem a ocupação, desde que todos fossem devidamente identificados. Os acampados ligados ao MCC foram proibidos de entrarem no prédio do INCRA e ficaram na parte externa ao relento.
Dois acampados foram presos por desacato à autoridade. É importante que se esclareça que desacatar “autoridade é proibido”, mas insultar com palavras do mais baixo calão homens, mulheres e crianças, não. Isso é um absurdo!
Os policiais proibiram o registro da ação por amadores, só permitindo o registro de imagens após a chegada da imprensa oficial.
A CPT-RO esteve no local acompanhando os fatos através das presenças do padre Juquinha e Carlinhos.

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