quarta-feira, 28 de maio de 2008

Contra a anistia ambiental






Ainda soltando os foguetes pela renúncia de Marina Silva, os políticos e representantes dos fazendeiros e madeireiros de Rondônia espalham a mentira que ela demitiu pela proposta de “desmatamento zero”.

Parece piada: Agora que já derrubaram tudo o que puderam, depois de décadas de total impunidade, agora querem propor desmatamento zero? Em realidade, eles esperam poder continuar impunemente a roubar madeira e grilar terras públicas no interior do estado do Amazonas, como já estão fazendo, desmatando a vontade.









Foto: Madeira presa na delegacia de Sao Francisco do Guaporé




E em troco, ainda querem conseguir anistia de todas as multas que receberam nestes três últimos anos. Durante décadas ficaram tirando madeira de forma ilegal, derrubando e queimando impunemente, com esquemas organizados de corrupção. É assim como o latifúndio tem se apossado de um terço de nosso estado de Rondônia. Agora que os esquemas de corrupção estão sendo desmantelados, quando o governo federal começa a defender o interesse público do Patrimônio da União, dizem que vão ser bonzinhos em troca de regularização fundiária e de anistia de todas as multas recebidas. Querem parar de derrubar se passar um pano sobre todo o roubo das madeiras e de Terras da União realizado em Rondônia. Esta é a proposta indecente que esconde o propalado “desmatamento zero”.

Por isso os representantes europeus recusam a compra do boi do Brasil. Numa região onde impera a falta de respeito pelas leis vigentes, ambientais e fundiárias, como esperar que os fazendeiros possam ser rigorosos no cumprimento das leis sanitárias para produção de carne? Aqui onde até os fiscais do Idaron são ameaçados de morte. Onde na fazenda do governo estadual de Pau d’Olho, nenhuma cabeça de bubalino é vacinada e os búfalos ficam invadindo e destruindo a Reserva Biológica do Guaporé. Onde até os búfalos alongados da fazenda do governador ficam ameaçando os ribeirinhos e indígenas, em Rolim de Moura do Guaporé. Onde qualquer cabeça de gado que morre é jogada num córrego ou na beira da estrada: Quem vai ficar sabendo de que doença morreu infetada?


Esta é a ocupação da Amazônia que alguns militares querem, desrespeitando leis ambientais e direitos constitucionais dos povos tradicionais. Continuando com a mesma falácia que esta é uma região por ocupar. Por isso eles apostam para continuar avançando a fronteira agrícola, o arco de fogo e de destruição da floresta. Avançando como se as populações tradicionais de indígenas, de quilombolas e de seringueiros não existissem, e eles não fossem brasileiros legítimos, ou mais que todos os outros.
Foto: despejo de indígenas em Manaus, Fevereiro 2008

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