segunda-feira, 9 de março de 2015

Militante do Levante é presa em RO durante ação do Dia Internacional da Mulher







As mulheres ganham as ruas do Brasil inteiro, fazendo marchas e ocupações numa jornada de lutas por Soberania Alimentar contra a Violência e o Agronegócio.

São Camponesas, nas ruas de São Paulo, Piauí, Bahia, Goiás, Espirito Santo, Paraná, entre outros, em defesa de seus direitos e pela visibilidade de que o agronegócio expulsa as famílias do campo, envenena a terra e produz morte.

A violência, que oprimiu mulheres durante séculos se repete a cada dia, no patriarcado legitimado pela violência policial, que utilizando-se da Farda e da proteção do Estado, se acha no direito de impedir as manifestações democráticas em defesa da vida.

Com uma prisão arbitrária, desmedida e desproporcional, submetendo as militantes a constrangimentos vexatórios e machistas, retirando-lhes o direito garantido, de serem acompanhadas por policial feminina.

De um lado mandam flores e parabenizam as mulheres pelo seu dia, que é dia forjado na luta! Mas de outro lançam as suas balas assassinas. Não nos calarão!

Veja aqui, a matéria e nota veiculada no site do Levante:

Marcando a jornada internacional de luta das mulheres, jovens da Via Campesina e do Levante Popular da Juventude/Rondônia realizaram nesta madrugada ações de agitação e propaganda na capital do estado, Porto Velho. Ao iniciar a ação por volta das 3h da manhã, um grupo de quatro jovens foi visto e perseguido por uma viatura da polícia militar, que chegou a disparar três vezes com arma de fogo contra o carro onde estavam os militantes.
Ao descer do carro, o grupo foi de imediato rendido e forçado a deitar no chão. Sob ameaça de armas e abuso de autoridade, as duas mulheres presentes foram vítimas de ação machista e truculenta durante toda abordagem policial. Segundo a jovem detida, a abordagem foi justificada pelo fato de que, de acordo com a polícia, ela não deveria estar na rua naquele momento: “eles disseram que eu não poderia circular a noite na cidade, que deveria estar em casa”, relata. A mesma jovem, que conduzia o veículo do grupo, foi pressionada pelos policiais a afirmar que o companheiro negro presente na ação estava no momento dirigindo no seu lugar.
A abordagem seguiu até às 5:30 da manhã, quando três militantes foram liberados e apenas a jovem que conduzia o veículo foi detida. Na viatura da polícia haviam três policiais homens e nenhuma policial feminina. Na delegacia, não explicaram a jovem o que estava acontecendo, tampouco a informaram sobre seus direitos. Ela também foi impedida de realizar telefonemas, além de ter sido ouvida pelo escrivão ao invés de pelo delegado. A militante prestou depoimento somente por volta das 10 da manhã, sendo liberada após às 11h.
A militante presa revelou estar ainda muito nervosa e assustada, declarando que “a ação foi muito tensa, principalmente pela forma machista como agiram comigo”. O lamentável ocorrido é mais uma prova concreta do caráter machista e patriarcal do Estado.


Segue abaixo nota de repúdio produzida pela Via Campesina e pelo Levante Popular da Juventude – RO.
Marcando a jornada internacional de luta das mulheres, jovens da Vía Campesina e Levante Popular da Juventude de Rondônia realizaram nos dias oito e nove março ações de agitação e propaganda na capital do estado, Porto Velho. Dentre outras pautas, as ações buscavam denunciar os impactos socioambientais das usinas hidroelétricas – principalmente após as recentes enchentes no norte do estado, a subserviência dos órgãos públicos ligados à agricultura aos interesses do agronegócio, o fechamento de escolas no campo e precarização da educação e a violência contra as mulheres.
Após uma dessas ações, os companheiros se dirigiam de carro ao alojamento quando foram abordados com truculência por policiais militares. Os PMs conduziram uma violenta perseguição pelas ruas da capital, chegando a disparar três vezes com força letal contra o carro onde estavam quatro jovens, que acabaram rendidos.Uma vez fora do carro, os policiais se utilizaram de flagrante abuso de autoridade, buscando extrair maiores informações sobre as ações realizadas. Após algumas horas, três dos companheiros foram liberados, enquanto uma jovem foi detida e levada para a Central da Polícia Civil de Porto Velho, onde permanece até o momento.
Nós, jovens, mulheres e homens organizados na Vía Campesina e Levante Popular da Juventude, denunciamos a violência policial racista, machista e covarde, repudiamos a criminalização dos movimentos sociais e declaramos publicamente: não nos calarão!

MULHERES EM LUTA PELA SOBERANIA ALIMENTAR, CONTRA A VIOLÊNCIA E O AGRONEGÓCIO! LUTAR NÃO É CRIME!

fonte: levante

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