segunda-feira, 9 de junho de 2014

Acusado de assassinato em Seringueiras, Rondônia, deve ir ao Tribunal de Júri

Martimar foi preso em São Miguel do Guaporé. foto comando190
Dois anos após acontecido o homicídio na rodoviária de Seringueiras, Martimar Pereira de Miranda, acusado da morte de José Barbosa da Silva (Zé Albino) irá para o Tribunal do Juri em São Miguel do Guaporé. 
Das nove mortes registradas pela CPT em Rondônia em 2012 motivadas por conflito agrário, Martimar, o Tim, é o único suspeito que está preso e sendo julgado pela justiça até agora. Ele está sendo acusado de ter matado Zé Albino por engano, após ter confundido o mesmo com Orlando Pereira Sales, o Paraíba, liderança do Acampamento Paulo Freire 3 de Seringueiras.

Sangue derramado de José Barbosa da Silva,
na rodoviária de Seringueiras, em 15/5/12. Foto: cristiano/rondovale.
No processo se apresenta a seguinte acusação:
  • "No dia 15 de maio de 2012, por volta das 20h30min, na Rua Salvo Paixão (terminal rodoviário), Centro, na cidade de Seringueiras, nesta comarca, o denunciado Martimar Pereira de Miranda, agindo dolosamente, com evidente vontade de matar, por motivo torpe, por meio de recurso que dificultou a defesa da vítima, utilizando uma arma de fogo, tentou contra a vida da vítima João Barbosa da Silva. Segundo foi apurado, a vítima foi atingida por um disparo de arma de fogo no momento em que estava aguardando no terminal rodoviário a chegada do ônibus que iria para Porto Velho/RO, sendo os ferimentos causados pelo disparo de arma de fogo a causa eficiente de sua morte, consoante laudo tanatoscópico de fls.45/46 e esquema de lesões de fl.85. Consta mais que testemunhas afirmaram que o autor do disparo era um homem magro, baixo e de cor negra, sendo que este contou com o apoio de outra pessoa não identificada para se evadir do local após o ataque à vítima. Apurou-se, ainda, que a vítima foi confundida com Orlando Pereira de Sales, o que é líder dos trabalhadores ruais do assentamento sem-terra, que estava enfrentando problemas com uns dissidentes que não concordavam com sua liderança, sendo certo que o crime se deu em retaliação pelos desentendimentos entre os líderes sem-terra.
  • Infere-se que o denunciado já havia proferido ameaças contra o líder dos sem-terra Orlando Pereira de Sales, sendo confirmado (...) que o denunciado estava (...) acompanhado de uma pessoa que não sabe identificar, não manhã seguinte ao crime em questão, oportunidade em que declarou ter matado a pessoa errada se referindo à vítima dos presentes autos". 

A 1ª Vara Criminal de São Miguel do Guaporé no Processo se pronunciou pela ação penal de competência do júri que deverá julgar Martimar Pereira de Miranda, que está preso.
O Paraíba foi assassinado posteriormente em Nova Brasilândia, em 29 de Novembro do mesmo ano 2012. No local reivindicado por ele em Seringueiras devem ser criados dois assentamentos de reforma agrária

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